Sábado, 17 de Janeiro de 2009

O concerto do Jorge Palma

 

 

 

No passado dia 13, Viana do Alentejo assinalou a passagem de mais um aniversário da restauração do Concelho. Em altura de festa aproveitei a ocasião para me relembrar dos muitos problemas que afectam o Concelho, nomeadamente o desemprego.

 

O Cine-teatro Vianense estava cheio no passado dia 13, para ouvir Jorge Palma, o autor e cantor de “Frágil”, “Deixa-me rir” e “Encosta-te a mim”, num concerto que marcou o encerramento das comemorações do aniversário da Restauração do Concelho.
Pouco passava das 21h30 quando Jorge Palma subiu ao palco para um espectáculo que agradou às cerca de 400 pessoas presentes, numa plateia composta por gente de todas as idades.
Durante a manhã, o Cine-teatro Vianense já tinha sido palco da cerimónia oficial “do dia maior do Concelho”na qual foram agraciadas quatro instituições com provas dadas. Foram elas a Banda da Sociedade União Alcaçovense, o Grupo Coral Velha Guarda de Viana do Alentejo, o Grupo Coral e Etnográfico de Viana e ainda a Associação de Convívio dos Reformados de Alcáçovas.
No decorrer da cerimónia que assinalou o 111º aniversário da Restauração do Concelho, estava eu muito descansado a preparar-me para ouvir o Jorge Palma quando de repente surge o inesperado, aparece o Presidente da Câmara e aproveita a ocasião para fazer referência a alguns problemas que afectam a região. Não deixei de reparar na loucura que percorreu a sala, por momentos cheguei a pensar que por detrás dos cortinados aparecia o Jorge Palma de guitarra na mão a entoar uma melodia suave, só me ocorria uma “reprise” da Internacional em dó menor. Mas não, tive de comer aquilo sem acompanhamento.
Pé ante pé aproximou-se do centro do palco e no seu esplendor mirou a multidão expectante, sorriso composto, rosadinho e luzidio, preparou a voz e deslumbrou-nos com uma abertura fenomenal: - “o desemprego é o maior problema do Concelho que leva à instabilidade social, a alguma insegurança e a que alguns jovens abandonem o Concelho para países europeus de imigração, e ainda para países africanos de língua portuguesa”.
Brutal, ninguém estava á espera de tais afirmações, até fiquei arrepiado com tamanha revelação, ainda por cima vinda do Presidente do Executivo que tão bem tem conduzido o investimento no concelho com estratégias que só encontram paralelo na engenharia financeira de um Belmiro de Azevedo ou de um Medina Carreira mesmo na linha deste gabinete de apoio ao Desenvolvimento Económico que tanto tem feito pelo concelho de Viana.
Para o camarada Estevão trata-se de um problema nacional que deve ter uma resposta de escala nacional, apesar de achar que nada está a ser feito para inverter esta situação. E deu como exemplo o fecho da Unidade de Inserção na Vida Activa (UNIVA) no Concelho.
O camarada Estevão aproveitou ainda a cerimónia para realçar outros problemas que afectam as populações do Concelho. O autarca lembrou que o SAP continua encerrado por vontade do Ministério da Saúde. “Apesar de diversas iniciativas que tiveram lugar no Concelho para recolocar o horário do SAP como estava antes, não houve qualquer sinal por parte do Governo ou do Ministério da Saúde para que a mudança pudesse acontecer”, garante. E, reafirma que “o assunto não está esquecido”. Eu é que já estava.
Também as forças de segurança não foram esquecidas. Apesar de ser património do Estado, segundo o autarca, o quartel da GNR continua “milagrosamente de pé” a aguardar por uma intervenção.
Vamos continuar a rezar para que não caia, ou melhor, vamos fazer como o Sr. Presidente, todos os dias ao acordar recordamos os nossos camaradas da GNR e o problema está resolvido.
Outro dos assuntos que o camarada Estevão falou foi o Plano Regional do Planeamento do Território (nome complicado) que define que em todo o distrito apenas o eixo da A6 é zona de desenvolvimento industrial e, como tal, passível da criação de zonas industriais. O autarca deixa no ar uma questão – “E o resto do distrito?”. Assim sendo, quem não está entre Évora, Vendas Novas e Borba, dificilmente consegue obter financiamento.
Também fiquei indignado, bolas, antigamente com uma ajuda daqui outra dali, fazia-se uma zona industrial, agora só se pode fazer com ajuda no eixo A6. Que se lixe a zona industrial, a malta está mesmo toda desempregada, gasta-se o dinheiro numa piscina que ao menos assim o pessoal sempre se diverte. E quando se tinha ajuda não fazia falta, havia emprego em Évora.
Depois começou a falar em palácios e património, enfim coisas que esta câmara tão bem tem cuidado, nesta altura não pude deixar de reparar nos olhos lacrimejantes das jovens que se aproximavam do palco na esperança de um olhar retribuído, tal foi a ternura das palavras. O homem diz que o que mais quer é fazer obras no Palácio dos Henriques diz ele que “ano após ano os deputados do maior partido político com assento parlamentar chumbam as respectivas propostas.”
Pronto aqui não aguentei e veio-me uma lágrima, chumbam-lhe as propostas…
Ainda gritei, Sr. Presidente eu arranjo-lhe um explicador e da próxima vez vai mais bem preparado, mas foi em vão, o camarada já tinha proferido as palavras “Ciclo de grandes investimentos” e a multidão foi ao rubro.
O silencio fez-se escutar a pedido, ouvia-se o bater dos corações, quase se podia ouvir o canto dos Anjos, (dos verdadeiros Ivete Mariza, daqueles da igreja). Epá, aquilo até parece que foi preparado, o camarada Estevão, amigo do povo, dos idosos e analfabetos anunciou ali mesmo que o Concelho de Viana do Alentejo está a entrar num ciclo de grandes investimentos em equipamentos colectivos.
É o caso das piscinas em Alcáçovas e Viana do Alentejo, da construção do Centro Escolar de Viana, do projecto de recuperação dos centros históricos bem como a repavimentação e criação de espaços verdes nas freguesias. Obras que prometem, segundo o autarca, “mudar a face das nossas terras”, sem nunca esquecer as chamadas pequenas obras também importantes para a qualidade de vida das populações.
Sim senhor, assim é que é, valeu a pena esperar tantos anos e agora que não tenho poder de compra, emprego e estou de abalada para o estrangeiro é que vão fazer a piscina e pôr isto tudo bonito, que bom que vai ser em Agosto quando eu voltar de férias e vir isto tudo mudado.
Depois disse que apesar da crise ser global, garante que o Concelho é capaz de criar riqueza.  Apesar de todas as dificuldades “há capacidade de gerar receitas, em alguns casos o dobro de outros municípios supostamente mais desenvolvidos e maiores do que nós”, rematou.
Espera lá, então estava eu de abalada, e vai haver riqueza e a dobrar, pelo sim pelo não vou esperar para ver… Sentado!
 
E sobre o concerto do Jorge Palma. Não vi nada fui para casa desfazer as malas, mas dizem que foi bom.
 

Nota: qualquer relação com a realidade nomes ou factos é pura coincidência

publicado por peixebanana às 23:17
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De polvorosa a 20 de Janeiro de 2009 às 14:16
De um Presidente de Município não se espera apenas um discurso vago e vazio de conteúdo, espera-se sim possuir uma estratégia clara e inequívoca de desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida dos seus munícipes e num momento complicado dar confiança às pessoas, não me interessa nada o seu choradinho. O mandato desta equipa no Município está ferido de morte.

Nos próximos dias vou identificar os 7 pecados capitais desta administração liderada pelo Sr. Estevão Pereira. Hoje é o Desemprego.

Primeiro pecado capital. O Desemprego. Não conseguiu atrair investimento externo. Não consegue fixar empresas. Não tem políticas de atracção de mão-de-obra jovem nem de população imigrante. Não há uma significativa baixa de impostos para as empresas. O Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento Económico não funciona. O Programa Finicia (FAME) não trabalha em proximidade com empresários, não consegue apoiar ninguém. Não há cursos de formação profissional para os trabalhadores. Não há estímulo ao empreendedorismo na juventude. Não há apoio a uma marca de qualidade concelhia. Não há uma campanha de divulgação do concelho para potenciais investidores. Não há uma aposta estratégia de promoção de um único produto local. A cooperação/internacionalização com outras regiões internacionais é zero. O artesanato não está a ser rentabilizado como merecia. Alguém conhece no concelho alguma start-up ou ninho de empresas para apoiar os empresários locais? Não. Apoios à agricultura, por exemplo, apoiar pequenos produtores através da venda de cabazes agrícolas não existem. Estão identificados e apoiados os principais produtos de qualidade que servem como marca própria e são consideradas apostas estratégicas do concelho? Longe vai o tempo dos chocalhos nas Alcáçovas e da olaria em Viana, actualmente qual é o produto/bem prioritário defendido pelos responsáveis políticos? Ignoramos. Não há estratégia de complemento entre gastronomia, alojamento, património e cultura como forma de promover o turismo. O turismo religioso num concelho com potencialidades obvias tem estado a ser apoiado como poderia ser? Claro que não. Metade da economia em Aguiar é composta por cafés, tasquinhas e tabernas, qual é o evento agregador desta oportunidade local? Alguém me consegue dizer onde é a prometida Zona Industrial em Aguiar? Os responsáveis políticos preocuparam-se seriamente em desenvolver o tecido empresarial da zona industrial de Alcáçovas? Não me parece. O que se está a fazer para as empresas localizadas no concelho beneficiarem do QREN? Sessões de divulgação, sensibilização, informação...

Evidentemente o Primeiro Ministro Sócrates tem culpas no cartório, especialmente em termos de política macro-económica nacional, mas todas estas medidas que destaquei são falhas da actual equipa autárquica liderada pelo Sr. Estevão Pereira, é uma questão de escolhas políticas, de prioridades económicas e aí há erros crassos na gestão local da coisa pública.

Falha redonda da Câmara no apoio ao sector privado gerador de riqueza e de postos de trabalho e uma fuga em frente no sector do investimento público porque alicerçada em maus diagnósticos e sem envolver a população na tomada de decisão, ao ritmo do calendário eleitoral.

http://polvorosa.blogs.sapo.pt
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Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

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