Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

120 mil

Portugal tem 143 mil professores. Contas da ministra da Educação. Vestidos de negro, de lenços brancos na mão, de luto por “a escola pública já não aguentar mais”, foram cem mil, segundo os sindicatos e a PSP, os professores que ontem pediram a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues.



“Está na hora, está na hora, de a ministra ir embora”, foi a melodia de fundo da ‘Marcha da Indignação’, que, ao longo de mais de três horas, encheu as ruas de Lisboa, do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço. As palavras de ordem foram repetidas por novos e velhos, famílias inteiras unidas pelo descontentamento.

Além do negro na roupa, os cartazes empunhados não pouparam críticas. Com uma maior ou menor dose de humor – “Novas Oportunidades, por favor, demitam-se” ou “Quem avalia a ministra? Hoje somos mais de 50 mil” –, muitas foram as frases dirigidas.

A exemplo do que aconteceu nos protestos realizados em muitas cidades, a avaliação do desempenho e o Estatuto da Carreira Docente voltaram a ser o maior motivo para não ficar em casa. Muitos são professores há 20 e 30 anos e nunca tinham participado numa manifestação. Outros, apesar de reconhecerem ter votado no actual Executivo, não hesitaram em expressar o descontentamento.

Numa acção aclamada por todos, a Plataforma Sindical pediu a demissão da ministra e dos secretários de Estado. “Os professores reafirmam a profunda indignação face ao desrespeito que tem sido manifestado pelo actual Governo, em especial pelos membros da equipa do Ministério da Educação, equipa que deixou de reunir condições para se manter em funções”. Além disso, pediu “a suspensão do processo de avaliação” e o adiamento da entrada em vigor do novo modelo de gestão escolar.

“O Governo tem maioria absoluta, mas está aqui uma maioria qualificada de dois terços de docentes”, disse Mário Nogueira.

"ESTOU A SER INFORMADO"

“Eu estou a acompanhar a situação. Estou a ser informado de tudo o que está a acontecer em Portugal.” São palavras do Presidente da República, Cavaco Silva, ontem proferidas no Rio de Janeiro, a propósito da grande manifestação em Lisboa de professores, que lutam contra as políticas do Ministério da Educação em geral e a aplicação das novas regras de avaliação em particular.

Em resposta às perguntas dos jornalistas sobre a manifestação, Cavaco Silva começou por dizer que continuava a afirmar que “não é a partir do Brasil que deve enviar mensagens sobre as questões internas do nosso país”. Até porque há poucos dias, numa visita que fez aos Pupilos do Exército se referiu precisamente a esse ao assunto, como noticiou o CM.

Nessa visita aos Pupilos do Exército, explicou o Presidente da República, “reafirmei o princípio constitucional que era o direito de manifestação que compete a todos respeitar”.

“Por isso, disse bem, já fiz, e não repeti”, mas o Presidente repetiu, reconhecendo mais uma vez aos professores a legitimidade de se manifestarem, sem que, com isso, se possa concluir que dá razão às suas reivindicações.

"ACHO QUE O PS ESTÁ ERRADO"

Toda de negro, de cravo vermelho ao peito, Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação do Governo de Guterres, fez questão de se associar ao protesto. “Achei que, num acto de cidadania, devia estar ao lado dos professores”, explicou ao ‘CM’. Crítica sobre a actual política, sublinhou que “neste campo o PS está errado”. Não pediu a demissão da ministra, mas aconselha-a a “reflectir”.

CONTESTAÇÃO ESTÁ PARA DURAR

Por muitas e repetidas vezes, o porta-voz da Plataforma Sindical, Mário Nogueira, sublinhou que “esta equipa ministerial não tem condições de se manter em funções”. E, caso não ceda, os docentes prometem manter a contestação. Além da semana de luto nas escolas, vão entregar ao Governo um abaixo-assinado. Seguem-se, ao longo do terceiro período, as segundas-feiras de protesto, em locais públicos, que se devem iniciar no Norte e seguir para o Sul e Ilhas, ciclicamente todas as semanas. “Para que o Governo não se esqueça dos professores”, sublinhou o líder da Fenprof.

DESCONTENTES

"SOU CONTRATADA HÁ DEZ ANOS" Marta Gonçalves, 33 anos, prof. de Inglês/Português, de Fafe

“Estou a contrato há 10 anos, tive sempre emprego e não percebo porque continuo nesta situação. Estou aqui por causa desta instabilidade. Preocupa-me também a burocratização que está a ser imposta com a avaliação, por isso sugiro mais calma na implementação do modelo. Os professores devem ser avaliados, mas não com esta pressão. Apoio a demissão da ministra.”

"O PROFESSOR JÁ NÃO É PROFESSOR" José Afonso, 45 anos, prof. de Educação Tecnológica, de Lisboa

“Nunca participei numa manifestação, é a primeira vez. E faço-o porque a escola pública não aguenta mais estas políticas. Não sai nada de jeito em termos de legislação daquele Ministério. O Estatuto do Aluno é o que mais me indigna, seguido da revisão do Estatuto da Carreira Docente. O professor já não é professor; dedica mais tempo às tarefas burocráticas do que ao Ensino.”

"ESTÃO A DENEGRIR OS PROFESSORES" Maria José Sousa, 48 anos, prof. do 1.º Ciclo, de Benavente

“Nestes três anos de Governo nunca participei em nenhuma manifestação. Não podia deixar de estar aqui hoje a defender um ensino como deve ser. Esta política está a denegrir os professores. Os decretos regulamentares vêm em catadupa e sentimos dificuldade em realizar as tarefas que os documentos nos impõem. Somos pela avaliação, não acreditamos é na forma como está a ser imposta.”

"MINISTRA DEVE ADIAR A AVALIAÇÃO" Anabela Campos, 28 anos, prof. de Biologia/Geologia, de Braga

“Sinto-me completamente injustiçada. Acho que estão a gozar com os anos que investi no meu percurso académico. Sou contra este Estatuto e a forma como a avaliação está a ser feita. Não vejo qual a necessidade de incluir as notas dos alunos nas avaliação dos professores. Acho que a ministra devia adiar a aplicação desta avaliação e depois repensar com os professores este modelo.”

"É O BAPTISMO EM MANIFESTAÇÕES" Mário Ferreira, 46 anos, prof. de Economia, de Vila Pouca de Aguiar

“É o meu baptismo em manifestações. Sou eleitor do PS desde 1980, votei PS quase sempre e estou muito desagradado com a avaliação. Não sou contra, mas o processo está a ser feito num prazo muito curto. Está errada a complexidade do modelo. Os professores quase não têm tempo para prepararem aulas. Se querem fazer esta avaliação como está, o melhor é dispensarem-nos da componente lectiva.”

"A CAUSA É JUSTA E SOU SOLIDÁRIO" José António, 66 anos, advogado, marido de uma professora, Lisboa

“Estou aqui porque a causa é justa e temos de ser solidários. Tenho um conhecimento próximo da situação. Todo este sistema de avaliação é controverso e impede a progressão na carreira. Havia professores que tinham expectativas agora goradas, o que também se reflecte na família. Conheço casos em que as medidas a ser implementadas na escola estão a prejudicar a família.”

"ESTOU DESMOTIVADO" João Reis, 44 anos prof. de Português, de Castelo Branco

“Raramente participo em manifestações. Acho que estamos a passar o limite do aceitável na matéria da avaliação e da progressão na carreira. Estou desmotivado. Há muitos anos que não me acontecia ir para a escola e mal conseguir dar aulas. Sou contra este modelo de avaliação. Porque motivo se incluem as notas dos alunos na avaliação? Para mim é ridículo. É fazer passagens administrativas dos alunos para que os professores não sejam penalizados na progressão da sua carreira.”

"MINISTRA DEVE SER FLEXÍVEL" Maria Afonso, 61 anos prof. de Geografia, de Almada

“Desde as manifestações do pós-25 de Abril que não participo em nenhum protesto. Hoje estou aqui pela má imagem que este Ministério está a passar dos professores. Sou a favor da avaliação, cabe ao Ministério distinguir os melhores professores dos piores, mas não assim, não se pode dizer impreterivelmente que é agora e que é para hoje. Acho que a ministra devia ser mais flexível. Não digo para recuar em absoluto na avaliação, mas deve ser mais flexível no diálogo.”

"IR PARA A ESCOLA É UMA ANGÚSTIA" Cândida Antunes, 52 anos prof. de Português, de Lisboa

“Venho aqui por um motivo simples, para pedir respeito. É fundamental haver mais justiça e diálogo nesta política educativa. Estas mudanças obedeceram a critérios profundamente injustos, as coisas tinham de ser mudadas, é certo, mas de uma forma em que houvesse justiça. Tenho oito anos de formação superior e vou ser avaliada por professores com menos tempo de serviço e com menos formação académica. Sinto-me penalizada. Às vezes ir para a escola é uma angústia, estou desiludida.”

SEGURANÇA DISCRETA E ASSOBIADA

Presentes na rotunda do Marquês de Pombal, os agentes da PSP fardados estiveram, ontem, praticamente ausentes na descida da Avenida da Liberdade. Também na Rua do Ouro passaram despercebidos aos professores e familiares que se reuniram na Praça do Comércio, onde, mais uma vez, manifestaram a sua indignação pelas pressões policiais de que dizem ter sido alvo.

Afirmando-se perseguidos, os professores voltaram ontem a assobiar a PSP. E garantiram que a polícia reteve na estação de serviço de Aveiras 20 autocarros com cerca de 900 pessoas que pretendiam participar na Marcha da Indignação. Esta informação – transmitida pelo microfone do palco montado na Praça do Comércio – foi desmentida ao CM pelo oficial de serviço ao Comando Nacional da Brigada de Trânsito da GNR.

Pouco visível, a autoridade esteve, no entanto, a postos para qualquer imprevisto: uma carrinha do Corpo de Intervenção com sete elementos manteve-se, durante a concentração, estacionada junto do Ministério da Administração Interna e vários agentes com motos circularam junto das avenidas vedadas, desde as 13h30, ao trânsito rodoviário. Segundo o Comando Metropolitano de Lisboa foram destacados 120 agentes. Muitos estariam à civil.

"ENTÃO MENINOS, VÃO LÁ E DIGAM MAL DA SENHORA MINISTRA"

Pelas 08h30 partiram da Praça Velasquez, no Porto, 26 autocarros com 1500 docentes, de entre os 13 500 que vieram do Norte. “Então meninos, vão lá e digam mal da senhora ministra”, exortava, na brincadeira, um professor reformado.

Rumo a Lisboa, artilhados com cartazes, os 300 quilómetros de distância permitiram partilhar experiências e queixumes sempre com o mesmo alvo: a ministra da Educação.

Pelo caminho, a bordo da camioneta 157, houve tempo para assinar três abaixo-assinados promovidos contra um horário de trabalho que “ultrapassa as 35 horas semanais”.

“É a primeira vez que venho a uma manifestação. Isto é o mais grave atentado à Educação desde o 25 de Abril”, disse o professor de Trabalhos Manuais de Leça do Balio, Eduardo Ramos. “Esta manifestação é uma prova de força de que a classe dos professores está unida”, sublinha Elza Pais, professora na mesma escola, sentada duas cadeiras à frente.

“O Governo vai pagar a factura, mas não é a ministra que vai sair. É Sócrates que vai perder”, vaticina Elza, enquanto lê os jornais do dia com amplo destaque para a ‘manif’ que começaria dentro de algumas horas. O almoço foi improvisado, no Parque Eduardo VII, já em Lisboa. “Em defesa da Educação. Há tanto burro mandado. Foi Saúde, foi Cultura, dois ministros já voaram”, traulitava um grupo que treinava cantigas para mais tarde.

NÚMEROS DA MANIFESTAÇÃO

- 143 mil é o número de docentes e educadores existentes no País.

- 3,2 milhões é quanto o Ministério pode ter de pagar em horas extras a docentes.

- 600 autocarros vieram de todo o País para a Marcha.

- 100 mil professores, dois terços da classe, desfilaram contra o Governo.

- 25 mil era o número do maior protesto de docentes realizado até ontem.

- 7 autocarros saíram de Coimbra e outros sete de Évora.

- 7mil docentes no Ensino que são contratados serão avaliados neste ano lectivo.

- 900 pessoas foram retidas pela BT em Aveiras, acusam os sindicatos.

- 30 autocarros saíram de Coimbra com 1500 docentes a bordo.

NOTAS

GRUPO DE INTERVENÇÃO ESTEVE A POSTOS

Uma carrinha com sete agentes permaneceu durante toda a manifestação junto do Ministério da Administração Interna.

DISPOSITIVO CONTOU COM 120 AGENTES

Ainda não tinha começado a descida da Avenida da Liberdade quando o Comando Metropolitano de Lisboa anunciou a presença de 120 agentes.

MANIFESTAÇÃO "PACÍFICA E SEM OCORRÊNCIAS"

Ao final da noite, o oficial de serviço do Comando de Lisboa garantiu não ter registo de “qualquer ocorrência” durante a manifestação “pacífica”.

REACÇÕES

"MAIOR REVOLTA SOCIAL" Luís Filipe Menezes, Líder do SPD

Líder do PSD disse que foi “a maior revolta do ponto de vista social dos portugueses contra um Governo desde o 25 de Abril”

"SISTEMA DE AVALIAÇÃO É BOM" Vitalino Canas, Porta-voz do PS

O porta-voz reafirmou que “o sistema de avaliação é bom” e que a manifestação “não alterará o rumo do PS e do Governo”

"ESTE É O PERÍODO MAIS NEGRO" Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

“Este é o período mais negro da História recente do País no sector da Educação e do Ensino”, disse ontem o líder comunista

"CHUMBO SEM SEGUNDA ÉPOCA" Paulo Portas, Presidente do CDS-PP

Presidente do CDS-PP diz que o protesto “foi um chumbo sem direito a segunda época para a senhora ministra da Educação”

"REFORMAS NECESSÁRIAS" Mário Lino, Ministro das Obras Públicas

Mário Lino disse a militantes do PS que o “Governo não está disponível para abdicar” de reformas “absolutamente necessárias”

"ENORME MOÇÃO DE CENSURA" Francisco Louçã, Líder do Bloco de Esquerda

O único líder partidário a participar na manifestação descreveu-a como “uma enorme moção de censura ao Governo”
Diana Ramos / J.R. / Sofia Rêgo / P.S.D.

 

 

Pedro Catarino / João Cortesão

A notícia no Correio da Manhã online

 

publicado por peixebanana às 10:18
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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

 

Clarice Lispector

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Alucinações

 
Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

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