Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

A anta do nosso contentamento

A curiosidade levou-me a procurar um pouco mais sobre Aguiar, gostava de conhecer a sua origem, o porquê da sua localização, a origem do seu nome, enfim um pouco da sua história, pois sempre que olho com mais atenção me parece que isto está aqui por acaso e não por um propósito. Não é um ponto estratégico (nem me parece que alguma vez tenha sido), não possui grande interesse cultural (nem me parece que alguma vez tenha tido), não é uma terra rica (não sei se alguma vez foi) e no entanto tem uma população residente que embora tenha aumentado ao longo dos séculos pode dizer-se que se manteve, em 1801 tinha 290 habitantes em 2000 tinha 700 o que dá uma média de 2 novos habitantes por ano, como estamos em 2008 já somos mais 16!

Ou é impressão minha ou está a fazer-se pouco para aumentar a população residente.

O povoamento de Aguiar ascende à época romana, aqui passava a via militar que ia de Beja para Évora e que continua a passar só que agora parece que suprimiram as bermas, temos uma "anta" que a junta de freguesia em conjunto com o extinto IPPAR tiveram a brilhante ideia de limpar, acho que não era vista (estava debaixo de um silvado) desde os inícios do século XX altura em que a antiga junta de freguesia foi extinta, claro que de Abril de 1985 até 2007 se passou algum tempo, mas a nova junta de Aguiar com o seu empenho não deixou os créditos por mãos alheias e logo se apressou a tratar do assunto, 22 anos de politica cultural tiveram o seu apogeu quando finalmente a anta viu a luz do dia. Antes tarde que nunca. Esquecia-me de referir que servia como local de culto dos mortos durante a época neolítica (mais ou menos do tempo do Álvaro Cunhal)

Recebeu foral em 1287, concedido por D. Dinis, e foral novo de D. Manuel I em 20 de Novembro de 1516. Pertenceu aos condes-barões de Alvito. Em termos eclesiásticos, os marqueses do Louriçal apresentavam os párocos.

Na história moderna foi vila e sede de concelho entre 1287 e o início do século XIX. Era constituído apenas pela freguesia da vila e tinha, em 1801, 248 habitantes. A própria freguesia foi suprimida entre o início do século XX e 1985, quando foi restaurada por Lei da Assembleia da República. Durante esse período esteve integrada na freguesia de Viana do Alentejo.

Chamava-se inicialmente Agar, um topónimo que segundo alguns autores está relacionado com uma mulher de origem árabe. Outros apontam, no entanto, para uma proveniência relacionada com águias e com a possível existência remota desta espécie animal no território da freguesia. Segundo um estudioso local, refere mesmo um termo "que as águias, que lhe deram o nome, outrora povoavam". Aliás, a teoria do Dr. Pedro Ferreira, na sua "Tentativa Etimológica", coincide com essa opinião. Segundo aquele autor, Aguiar vem do baixo latim "aquilare", abundante em águias; aves bem conhecidas, cujo nome foi tirado do latim "aquila". A permanência romana neste espaço, como adiante verificaremos, não será por certo alheia a esta a versão do nome da freguesia.

Depois de conhecer a história da minha vila fiquei mais descansado, percebi que continua a ter a via romana com alcatrão por cima e uma anta.

Isto é obra!!!

Obrigado Estêvão, obrigado António Inácio.

publicado por peixebanana às 13:32
link do post | comentar | favorito
|
13 comentários:
De Anonimo a 9 de Maio de 2008 às 17:37
Muito bem, peixe banana! Continua a fazer pela verdade e por Aguiar... Mas não brinques com coisas sérias, porque podemos não ter muito ou um rico património mas é o nosso e para nós é muito importante! Se não é importante para ti, porque tens outro melhor que este, podes partir para lá... Se é para ajudar os Aguiarenses e a nossa terra és bem vindo, mas vê lá bem. Olha que fazer pouco do pouco que se tem não é ajudar! É que para destruir, já cá temos alguns e já são demais!

Aguiarense Preocupado
De peixebanana a 9 de Maio de 2008 às 19:55
Gosto demais de Aguiar para destruir seja o que seja, penso no entanto que se estivermos atentos podemos presionar o poder politico e reverter algumas siuações.

Obrigado pela contribuição
De Anonimo a 12 de Maio de 2008 às 18:23
Peixe banana, é isso que está na hora de acontecer a reversão daquilo que não está bem... Para o bem de todos e de Aguiar também!!! Continua assim que vais contribuir para esse mesmo bem... Estou a gostar muito dos temas que tratas no teu blog... Pareces ter conhecimento do que falas e sensibilidade humana e cultural... Vamos então abanar os renumerados do poder local cá do sitio e pô-los a trabalhar em vez de se andarem a pavonear!!!
De Cornudo lindo a 9 de Maio de 2008 às 22:05
Sr. Banana, neste aspecto concordo consigo. Realmente a única diferença da Aguiar de há 500 anos atrás para a Aguiar actual é apenas a via de passagem estar alcatroado.
No entanto não cheguei a saber ao certo qual a população de Aguiar em 1801?? Eram 248 ou 290 pessoas?!? Mais coerência nesses textos....
De peixebanana a 9 de Maio de 2008 às 23:39
Cornudo lindo, tem toda a razão, obrigado pelo reparo.
De anonimo a 10 de Maio de 2008 às 12:39
repararam no relogio...afinal a malta de fora tambem quer ter parte ...ih.ih.ih
De Taeda a 11 de Maio de 2008 às 17:22
olá, estive a reparar no seu texto sobre a vila de Aguiar que mim tb me diz muito pois tenho lá familia, mas fiquei com algumas duvidas sobre alguns aspectos, primeiro porque chama à antiga Via Romana Via militar? É certo que a Lusitania foi conquistada por legiões romanas mas após a sua pacificação estas não se mantiveram na Peninsula Ibérica, esta via romana que ligava Ebora (Évora) a PAX IVLIA (Beja) teve muita importancia após a pacificação pois ligava estas duas cidades importantes, e entre elas ficava um Vico que se situa no santuario de Nossa Senhora de Aires. Quanto ao facto que a antiga via estar por baixo de alcatrão, tambem tenho duvidas porque as nossas actuais estradas não seguem o traçado das vias romanas, mas caso eu esteja enganada gostaria de saber onde leu essa informação. Para além da anta tambem existe um povoado que foi escavado pelo instituto alemão, não tenho muitas informações mas se desejar posso talvez arranja-las, tambem existe algumas minas. Mas ja que gosta tanto de saber sobre a sua terra, gostaria que me informasse sobre os Banhos (termas), porque isso pode ser um indicio de haver alguma villa romana por perto.
Não critique a sua terra por ter tão poucos monumentos culturais, pois eu fazia o mesmo à minha e dps de entrar para o curso de arqueologia descobri que na minha terra existe muitas coisas interessantes, talvez aconteça o mesmo na Vila de Aguiar, mas onde nunca houve um estudo aprofundado sobre a sua verdadeira historia e ocupação.
De peixebanana a 11 de Maio de 2008 às 22:53
Taeda, o pouco que consegui reunir sobre a vila de Aguiar deve-se a uma carolice sem aprofundar o assunto para além do que existe publicado nas referências mais proximas, como são o caso do arquivo artistico e cultural (tulio espanca) lido a correr, e a alguma informação que obtive na internet. Quando referi o facto da minha terra ter poucas referências de valor histórico não foi de um modo ofensivo ou critico, (até porque isso é superado largamente pelo valor humano) mas sim para servir de base a uma critica ao que tem sido feito pelo poder politico nos ultimos anos, que se virmos bem pouco mais foi do que o que já existia. A referência á via militar ou romana ter sido tapada por alcatrão é uma forma de dizer que a estrada continua a passar por aguiar só que agora tem alcatrão. Em relação aos banhos tenho todo o prazer em poder caracterizá-los quer na sua localização, oucupação em tempos modernos e recolha de elementos fotográficos, sei que existem já alguns estudos geologicos que conferem caracteristicas unicas ás aguas ferreas desta zona.

Para tal pode contactar-me através de email para peixebanana@sapo.pt.

Grato pela atenção dispensada a este assunto.
De José Rocha a 11 de Maio de 2008 às 23:07
Meu Caro Amigo
Segundo as minhas fontes a Via Romana não está tapada pelo alcatrão pois passava um pouco ao lado da nossa Vila:
ESTRADA ROMANA EVORA BEJA PASSAVA POR AGUIAR
Évora(EBORA) (a via sai pela Porta do Raimundo) Horta do Bispo (troço de calçada segundo Pereira: 1948, 296-335) Bairro da N. Sra. do Carmo Travessia da rib. da Torregela Monte das Flores (miliário; a via segue pela margem dir. do rio Xarrama; miliário 3 e 4 de Fontalva) Porto do Zambujal do Conde (2 miliários 800 m a montante, 1 e 2 de Fontalva, um epigráfico e outro no leito do rio) Monte do Seixo (referência a um miliário) Porto da Magalhoa (referência a um miliário; na zona estaria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo que estaria deslocado entre os Montes da Magalhoa e do Zambujeiro) Torre/Solar da Camoeira (provável Mutatio de onde provém o miliário da milha XI que está hoje nos estaleiros da JAE em Évora) Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário tombado no leito do rio que corresponderá à milha XII) Aguilhão, Aguiar (segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ correspondente à milha XIII; a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira) Ponte Romana sobre a rib. da Murteira ou do Aguilhão na Horta do Vinagre (só vestígios; fuste de miliário anepígrafo na margem esq. e a sua base no leito do rio correspondente à milha XIV) Aguiar (calçada na Herdade da Romeira) Monte Lindim, Aguiar (calçada e miliário ilegível correspondente à milha XV) Travessia da rib. de Alpracá (continua por Serrado) N. Sra. d'Aires, Viana do Alentejo (Vicus; calçada e dois miliários, um dos quais indica a milha XVII que corresponde à distancia a Évora) Viana do Alentejo (segue pela EN257 junto a Horta de Tomes e Horta do Espanadeiro, onde sai da EN257 a direito por estradão por Sarnado) Água de Peixe (onde conflui com a EM1004 em asfalto) Albergaria dos Fusos, Vila Ruiva (segue pela EM1004-1) Ponte Romano-Medieval de Vila Ruiva sobre a rib. de Odivelas (120 m; 20 arcos, só 3 pilares são romanos) Vila Ruiva, Cuba (seguiria pela EN258 próximo da represa romana junto à ermida da N. Sra. da Represa, Monte da Delicada e do Monte da Panasqueira onde há Villa) (possível ligação a Vila de Frades, onde fica a importante Villa de S. Cucufate e mais a sul à Villa do Monte da Cegonha já em Selmes) Travessia da rib. de Mac Abraão junto ao Monte da Palheta e seguindo pelo Monte das Figueiras e Assentins Cuba ( Villae no Monte do Outeiro; segue junto à linha férrea pelo Monte da Torre do Pinto, até Pombalinho e Qta. da Saúde; a Villa da Qta. de Suratesta fica próximo) Beja(PACE IULIA) (chegava pelas traseiras do Convento de Sta. Clara, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada)



De Vias Romanas em Portugal

De peixebanana a 12 de Maio de 2008 às 00:17
A cidade agar qualquer dia pode e deve ser publicada noutro formato no que se refere a assuntos históricos quer de saber popular quer de investigação e reunião de artigos relacionados com a vila de aguiar.
E não o digo a brincar, seria de certeza uma mais valia para a vila de Aguiar.
Em relação á minha referência á via militar ou romana ter sido tapada por alcatrão é uma forma de dizer que a estrada continua a passar por aguiar só que agora tem alcatrão como já referi em comentário anterior.

Muito obrigado pela colaboração, se calhar encontramos uma rota bonita para fazer uma caminhada.
De José Rocha a 12 de Maio de 2008 às 00:43
Vamos pensar nisso..
Mas espero que o meu amigo esteja presente..
De ma a 21 de Maio de 2008 às 15:44
E o que é que a participação do peixe banana na caminhada, ajuda o desenvolvimento ou o património de Aguiar ?
De Anónimo a 21 de Julho de 2008 às 21:58
porque será que o braço direito do Sr. . presidente de câmara se foi embora ?
quero dizer o assessor !
as coisas começam a estar conturbadas para o lado da câmara municipal de Viana do Alentejo !
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

porque será que o braço direito do Sr. . presidente de câmara se foi embora ? <BR>quero dizer o assessor ! <BR>as coisas começam a estar conturbadas para o lado da câmara municipal de Viana do Alentejo ! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>sera</A> que estes comentários já estão a dar vota ao estômago ?

Comentar post

.Sobre um dia perfeito para os peixes banana

 

Um dia perfeito para os peixes banana é um blog sem cor, mas com opinião acerca de algumas questões que são importantes para todos nós. Não pretende fazer oposição a nada nem a ninguém, pretende apenas despertar os sentidos de quem pode fazer mais e melhor. Tem acesso livre e publicação de comentários que embora moderados são normalmente publicados na integra (a moderação serve exclusivamente para que se proteja a integridade pessoal da nossa gente).
Se pretender contactar o blog via email pode fazê-lo para peixebanana@sapo.pt e colocar as suas opiniões, duvidas ou participar no blog. Um dia perfeito para os peixes banana reserva-se no direito de publicar apenas o que acha válido para uma opinião responsável e construtiva.
A causa publica é a principal bandeira e existe para que através de uma opinião (que não passa disso mesmo), se possa debater um tema e assim adquirir conhecimento.
Quem não gosta do formato não veja, quem gosta sinta-se em casa, mas ambos são bem recebidos.
 
Um dia perfeito para os peixes banana

.pesquisar

 

.Março 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
13
14
16
17
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

 

Clarice Lispector

.arquivos

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.favoritos

. QUARTOS-CHAMBRES-ROOMS

.links

.o tempo

eztools.com

.sobre o peixe banana

.posts recentes

. ...

. retratos

. Movimento Unidos pelo Con...

. twenty three:

. Curtas

. Moderação

. Um docinho...

. Unidos Venceremos

. Apresentação do candidato

. Modern Toss

. Era uma vez...

. more wordboner

. O curso

. Projectos do Sr. Eng. Soc...

. Sim é possivél, urinar em...

. PLANO PARA SALVAR PORTUGA...

. Word Boner

. tumblr

. Para quem ainda tinha duv...

. Viana tem mais encanto na...

Alucinações

 
Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

.visitantes

Web Counters
Cheap Laptop

.subscrever feeds