Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Filhos da Revolução

 

 

Sou um filho do 25 de Abril de 1974, tinha 2 anos quando se deu a revolução, nunca senti na pele o que me contaram os mais velhos acerca da repressão que existia, sempre me senti em liberdade dentro do meu país. Sempre disse o que queria, onde queria e assim continuo, todo contente porque vivo num país livre e democrático. Sempre que pude exerci o meu direito de voto em consciência e em perfeita liberdade de pensamento. Considero-me um cidadão atento e responsável, desde sempre prestei atenção às notícias e á vida política do nosso país.

O tempo foi passando e a nossa democracia, foi, dizem os especialistas, sendo consolidada, temos eleições livres e tirando os média, os empregados públicos, os professores e outros dependentes da administração do nosso país, todos os outros, são livres de pensar e agir.

Durante estes anos todos pude observar um fenómeno espectacular, os políticos continuam a ser os mesmos, e quando saem, ou porque lhes deu um badagaio ou porque ganharam a simpatia de um qualquer grupo financeiro (sabe-se lá porquê), vêem os filhos ou os sobrinhos.

Nestes trinta e tal anos, surgiu uma nova profissão, politico. Há tipos que nunca fizeram nada na vida a não ser, político, ou deputado, ou outra mérda qualquer dentro do género.

Eu não sei como era dantes, mas tenho ouvido histórias que não era muito diferente, só que com menos assaltos. Quem mandava no país era o Presidente do Conselho, não eram os bancos, e os portugueses eram pobres como hoje, só que não estavam apinhados de dívidas.

Com isto não estou a apregoar o fascismo, antes pelo contrário. A minha questão é a seguinte? – Eu voto como uma grande parte dos portugueses, e ganhe quem ganhar deixa sempre o pais pior do que o apanhou, depois votamos nos outros que já tínhamos votado antes e andamos nisto á 34 anos.

Sei que grande parte dos nossos deputados, ministros, presidentes de câmara, políticos, são incansáveis e permanecem desde sempre, às vezes pergunto-me? – Serão feitos de cera?

É que 34 anos de serviço cansam qualquer trabalhador, e sinceramente eu já não tenho vontade, nem de os ver, nem de os ouvir. Por isso deixo de ir votar, e eles vão ficando, ou melhor, trocando. Agora vais tu para a Galp, que vou eu para o governo e logo á noite vamos todos para os copos, amanhã quando nos virmos fazemos cara de amuado e o povo aplaude a postura do estadista.

A isto tem-se chamado democracia, o voto de uma nação para colocar homens nos conselhos de administração de empresas privadas, qual prémio de carreira.

E agora que falta um ano para as eleições, que fazer?

 

 

 

 

Deixo aqui alguns dados biográficos referentes a alguns dos cromos em questão, estes se deus quiser já não voltam, agora estão a fazer-nos mal noutro local.

 

 

 

Joaquim Augusto Nunes de Pina Moura – Licenciado em economia (13 anos a limpar-nos os bolsos)

1972 – militante PCP

1973 - Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática e candidata-se pelas listas das Comissões Democráticas Eleitorais (CDE) às eleições para a Assembleia Nacional

1992 - funda a Plataforma de Esquerda

1995 – Adere ao PS

1995 - Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro

1997 - Ministro das Finanças, chegando a acumular com a pasta da Economia

1995 e 2005 - Deputado à Assembleia da República, pelos círculos do Porto e de Lisboa

O que faz hoje - É Professor Catedrático Convidado do ISEG e do ISG - Instituto Superior de Gestão (desde 2005), consultor externo do Conselho de Administração do Banco Comercial Português, vogal do Conselho de Administração da Galp Energia e presidente da Iberdrola Portugal (desde 2004). Pina Moura foi ainda presidente do Conselho de Governadores do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.

 

 

 Fernando Manuel dos Santos Gomes – Licenciado em Economia (31 anos a limpar-nos os bolsos)

1974 a 1981 - foi presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde

1983 a 1985 - secretário de Estado da Habitação e Urbanismo

1986 - deputado ao Parlamento Europeu em, sendo vice-presidente do grupo socialista e presidente da Comissão dos Assuntos Sociais e do Emprego

1989 -  foi eleito para a presidência da Câmara Municipal do Porto, cargo para o qual foi reeleito em 1993 e 1997

1999 - Ministro da Administração Interna

Até 2005 - deputado na Assembleia da República

O que faz hoje - administrador executivo da Galp, com os pelouros da Galp Power, empresa responsável pelos projectos das centrais de cogeração, e da Galp Exploração, empresa que gere a actividade de extracção de petróleo e que gere as concessões de poços em Angola e no Brasil. Foi-lhe também atribuída a empresa Sóturis que gere todo o património imobiliário da Galp.

 

 

 Vítor Manuel Ribeiro Constâncio - Licenciado em Economia ( 34 anos a limpar-nos os bolsos)

1974 a 1976 - Secretário de Estado do Planeamento

1975 - Director de Estatística e Estudos Económicos

1976 - Deputado é assembleia da republica

1978 - Ministro das Finanças e do Plano

1979 - Presidente da Comissão Parlamentar para a Integração Europeia

1985 - Governador do Banco de Portugal, até 1986 e, novamente, a partir de 2000, aferindo uma das remunerações mais altas de um dos países mais pobres da união europeia

1995 a 2000 - Administrador do Banco Português de Investimento  e da EDP

Constâncio é Professor Catedrático Convidado do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, desde 1989, apesar de nunca ter concluído o doutoramento

O que faz hoje - Governador do Banco de Portugal, aferindo uma das remunerações mais altas de um dos países mais pobres da união europeia

 

 

 Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho - Licenciado em Organização e Gestão de Empresas (20 anos a limpar-nos os bolsos)

1983 a 1985 - Chefe de Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes

1988 a 1989 - Chefe de Gabinete do Secretário de Estado Adjunto dos Assuntos Sociais, Educação e Juventude em Macau

1987 a 1995 – Deputado é assembleia da republica

1995 a 2004 - Ministro de Estado e do Equipamento Social

2004 – Professor universitário e comentador na televisão

O que faz hoje - é administrador da empresa de consultoria Congetmark e, desde Abril de 2008, CEO da construtora Mota-Engil.

 

 

 Joaquim Ferreira do Amaral - Licenciado em Engenharia Mecânica (22 anos a limpar-nos os bolsos)

1979 - Direcção-Geral dos Serviços Industriais

1979 - Secretário de Estado das Indústrias Extractivas e Transformadoras

1981 – Adere ao PSD

1981 - Secretaria de Estado da Integração Europeia

1982 - Instituto de Investimento Estrangeiro

1982 - Indústrias Nacionais de Defesa

1986 - Instituto Financeiro de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas

1985 a 1990 - ministro do Comércio e Turismo

1990 a 1995 - ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

1995 - Ocupou a bancada parlamentar do PSD

1997 - Candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa

2001 – Candidato às eleições presidenciais

O que faz hoje - É membro não-executivo do Conselho de Administração da Lusoponte

 

 

 Nota 1: Estes são só alguns, que podem servir de exemplo.

 

Nota 2: A maior parte continua a ir-nos aos bolsos, os perdões só se dão a grandes empresas quem têm grandes valores em divida e grandes gestores, que por acaso até são os pais, tios, filhos, amigos, namorados…

Nota 3: Bem dita revolução. Mas que grandes "senhores" (estava aqui um erro de tradução)!!!

 

publicado por peixebanana às 00:17
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1 comentário:
De MP a 2 de Outubro de 2008 às 17:12
Eu tinha um ano, quando se deu a dita revolução.
E com o passar do tempo também eu me questiono... sobre o rumo da politica, dos políticos e do nosso país.
E é por vezes angustiante !

MP

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

 

Clarice Lispector

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Alucinações

 
Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

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