Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Sobre a Feira d'Aires

Sobre a Feira de 2008, não sei a quem posso dirigir algumas perguntas, mas elas aqui ficam:

Porque se permitiu pessoas estarem a vender nas tendas sem alvará e outros "alugaram" os mesmos?

Porque se permite cada vez mais expositores do exterior relegando para segundo plano os da terra, sei de pessoas de Viana que queriam expor na Feira e disseram-lhe já não havia espaço, tendo-se verificado que na área da exposição eram mais os de fora do que os de cá.

Porque se abandonou o apoio aos agentes associativos da nossa terra que não montam dentro das tendas, tratando-os como se fossem "tendeiros" não se cuida dos espaços, não cuida da entrada onde estão esses agentes.

Quem é a responsabilidade da vergonha das casas de banho junto á fonte? Sei de pessoas que foram chamar o sr. Presidente da JF e este disse a mais que uma pessoa que não tinha nada com aquilo, tendo ficado sempre escondido no conforto da tenda enquanto os municipes andavam enterrados em porcaria.

Atenção o tempo,a crise, a GNR e a ASAE tem responsabilidade no fiasco da feira, mas são só estes, a falta de condições dignas para afeira não tem influencia? Deiam-se ao trabalho de visitarem o Parque de feiras de Estremoz, Redondo ou Montemor e verão a diferença. A pergunta é não se podia ter evitado o colapso que foi a feira de Aires do ano de 2008?

Ultima pergunta a falta de sinalização é responsavel por dois acidentes graves com carros, e se tivesse havido vitimas de quem era a responsabilidade? Estamos a falar de espaço publico porque não se tomaram todas as medidas?

 

anónimo

 

retirado de viana e tal (comentários) a 1.10.08

publicado por peixebanana às 13:48
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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

 

Clarice Lispector

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Alucinações

 
Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

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