Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Barreiras Arquitectónicas

 

 

…Sou deficiente motor com incapacidade superior a 60%. No entanto e dado que a incapacidade é de Paraplegia, sou uma pessoa completamente independente em todas as funções, sou trabalhador (Agente da PSP- Em Évora) em funções, desloco-me pelos próprios meios sem ajuda de terceiros, com a ajuda técnica de uma cadeira de rodas, tenho uma viatura automóvel adaptada, vivo em Aguiar conforme mencionado na identificação acima descrita, vivo sozinho na minha habitação e sou completamente autónomo e independente.
 
            Desde há já vários dias que me desloco com a minha filha menor, ao complexo das piscinas de Viana do Alentejo, para usufruir de alguns momentos de lazer.
 
No entanto, verifiquei que os acessos, não reúnem as condições nem se encontra devidamente construído, nem foi alterado, como regulamenta o DL. Nº163/2006 de 08 de Agosto de 2006 ,revogando o Dl, Lei 123-A de 1997, que regula a promoção de acessibilidade a pessoas com deficiência motora aqueles tipos de espaços de lazer e divertimento.
 
Bem como as seguintes situações que a seguir descrevo:
 
  • Não existe qualquer tipo de estacionamento, devidamente assinalado, para pessoas com dificuldades de mobilidade (Estacionamento para deficientes)
 
  • Verifiquei que o acesso principal, Rampa de acesso, não reúne as condições nem se encontra devidamente construído com os 6 graus de inclinação, tendo que para ter acesso ás mesmas ter de estar sempre a pedir que me ajudem a descê-la e subi-la, dado os seus 30 a 45 graus.
 
  • As portas dos balneários, não têm as medidas que deveriam ter, dado que nem a cadeira de rodas passa nelas e mede 65cm de largura e esta devidamente aprovada pelos regulamentos.
Implicando que, já tenha que ir de fato de banho de casa e assim voltar á mesma, completamente molhado e sem ter tido possibilidade de tomar duche nem ter tido a possibilidade de mudar de roupa porque não tenho acesso aos mesmos. Obrigando a que o meu acesso se tenha de fazer por dentro de um anexo, que julgo ser a casa do guarda das piscinas.
 
  • O acesso ás piscinas das crianças tem um degrau directamente para a relva, com cerca de 30 cm de altura, sendo que a relva nem sequer tem qualquer passadiço, no trajecto ate ás piscina das crianças, hoje por exemplo estava, ensopada e cheia de lama em alguns sítios e as rodas cheias de lama em locais onde as pessoas normalmente andam descalças…
 
  • Os designados “lava pés” não têm qualquer rampa de acesso, nem qualquer local alternativo para que se possa acessar á mesma e a altura das mesmas é imprópria, as rodas ao entrarem na mesma, ficam cheias de agua o que faz com que se estraguem, as rodas pequenas que ficam completamente submersas na agua e fero com agua o resultado não é bom..
 
  • Quando me desejo deslocar ás piscinas dos adultos tenho que voltar a efectuar o mesmo percurso de regresso, dado que a mesma só tem acesso através de uma escadaria com bastantes degraus.
 
  • Ao pretenso Bar das piscinas, nem sequer se lhe tem acesso pelo interior das mesmas e esse Bar deveria servir quem se encontra a usufruir de um serviço pago, o do uso de um complexo de divertimento. Serve sim quem vem do exterior, porque quem se encontra no interior das piscinas tem de sair e voltar a entrar, para lhe ter acesso.
 
  • Já para não falar de que se tiver que usar a casa de banho para deficientes, o melhor é mesmo voltar a casa porque aqui tenho uma.
 
Já no passado ano efectuei esta reclamação verbalmente á pessoa que ali se encontrava a cobrar as entradas que me disse informaria quem de direito, pelos vistos, a informação perdeu-se, ou alguém nem sequer fez caso dela.
 
Agradeço sim a amabilidade e disponibilidade das pessoas que ali trabalham, como por exemplo o dos nadadores salvadores, que me prestam todo o auxilio que lhes peço e sempre se mostram disponíveis, mesmo que um deles, sendo uma senhora e tenha extrema dificuldade em proporcionar-me essa ajuda pois o esforço dispendido nela, é bastante…
 
Sem mais de momento, agradeço a atenção dispensada e desejo ter conhecimento da análise do problema bem como da sua resolução por escrito.
 
Sendo que. “…sou um cidadão, de mobilidade condicionada, porque quem me a deveria proporcionar, me a condiciona…”
 
 
recebido por email (carta enviada é cmva)
editado por peixebanana
 
 
publicado por peixebanana às 16:17
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10 comentários:
De Anónimo a 31 de Julho de 2008 às 22:33
com o devido respeito acho que fez mal a sua reclamação, pois muito sinceramente nao devia ter falado com a funcionaria que nao tem culpa nenhuma, mas sim ir falar directamente com o presidente, mas como tambem o conhece e sabe que nao tira meias, mandou o recado, que não deu em nada, pois claro.
com franqueza, acho que o tempo que mandamos bitaites, (e digo bitaites porque tambem os mando), se fosse logo ter com quem de direito provavelmente, ja estavam a tentar solucionar o problema.

De Cidadão diferente e Indiferente a 1 de Agosto de 2008 às 16:56
Caro anónimo, vou publicar outra carta com fotografias para vªexª perceber realmente o que se passa e o que os orgãos responsaveis querema saber do que digo e das reclamações que fiz, com fotografias e Vª exªírá certamente reparar nas datas e nas fotografias e fazer a comparação com o dia de hoje...
De Anónimo a 1 de Agosto de 2008 às 18:45
amigo, queira desculpar se nao me soube exprimir correctamente.
nao estou a tomar o partido de ninguem, so acho, que a andar por porats e travessas não vê o seu problema resolvido tão cedo. por isso digo e repito, se formos directamente ás pessoas certas ganhamos tempo, e tempo certamente é dinheiro.
mais , sou uma pessoa bastante sensivel a todo o tipo de problemas ou deficiencias, e só não ajudo quando não posso, mas acho que fez mal em reclamar junto da funcionaria, nao vou dizer o contrário.
De Cidadão diferente e Indiferente a 1 de Agosto de 2008 às 23:36
Td bem amigo eu percebo mas vai ser aqui publicado uma outra carta que fiz e falei directamente com ele em Janeiro de 2007 e esta td na mesma...
De polvorosa a 31 de Julho de 2008 às 23:01
Agradeço o testemunho. Nenhum de nós está isento de ter algum problema de saúde grave e passe a ter mobilidade condicionada.
Acho essencial mais fiscalização e exigência neste tipo de obras, sobretudo pelo sector público que às vezes é o pior. Não podemos fazer o discurso de uma sociedade inclusiva se ela não o é de facto.
Por vezes todos nós erramos, até ao deixar os carros estacionados nos passeios, experimentem transportar o carrinho de bébé numa cidade, aí vão perceber o caos e agora imaginem que estão numa cadeira de rodas. Enfim, já nem quero falar nos obstáculos para os invisuais que a lista é longa. E lembremo-nos todos, não sabemos o dia de amanhã, por isso vamos cuidar de não condicionar a mobilidade dos nossos cidadãos, mesmo nos pequenos actos.
http://polvorosa.blogs.sapo.pt/14699.html
De Anónimo a 1 de Agosto de 2008 às 01:50
Em primeiro lugar, fico muito satisfeito pela descrição aprimorada efectuada pelo cidadão com mobilidade condicionada.
Saltando para o tema objecto de discussão, qualquer coisa que aconteça no concelho, alguém logo diz: vão falar com o Sr. Presidente que é a pessoa certa.
O Sr. Presidente deve ter mais que fazer do que andar a tratar de assuntos de gestão corrente. Os pelouros estão divididos, existem as juntas de freguesia e os técnicos que trabalham na Câmara.
Também há os livros de reclamações, as cartas, os emails, os blogs e outros meios para fazer chegar ao executivo aquilo que não está bem.
É a nossa pequenez, como concelho e também de mentalidade que nos leva, sem querermos, a tratar tudo com o Sr. Presidente, e todos aconselham todos a proceder dessa forma.
Num concelho de maior dimensão, um problema semelhante como seria tratado?
Da mesma maneira que o nosso conterrâneo o fez e bem, mostrando a sua indignação por uma situação que tarda por resolução, não só em Viana como em todo o país, apesar do diploma legal que aprova o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais.
Também não entendo o comentário do anónimo, quando o mesmo escreve que o nosso agente da PSP, não tira meias com o Presidente.
Parece que estas coisas são tratadas como se de uma disputa pessoal estivesse em causa.
Cresçamos e manifestemos a nossa indignação publicamente, sem ser nos segredos dos gabinetes, quando os nossos direitos estiverem em causa.
É com exemplos destes que se fortalece a democracia – bem-haja Sr. Polícia.
De Cidadão diferente e Indiferente a 1 de Agosto de 2008 às 16:54
Eu ainda tentei apensar esta exposição que fiz a uma reclamação legal, que é normalmente como costumo fazer, pk a camara tem de dar conhecimento da mesma á entidade fiscalizadora, ou seja no livro de reclamações obrigatório por lei, mas...
Não existe, vejam lá.
De Anónimo a 1 de Agosto de 2008 às 17:19
Se não existe é comunicar o caso à ASAE.
De Anónimo a 1 de Agosto de 2008 às 17:38
Como bem sabe, o livro de reclamções é universal em todos os serviços públicos ou privados.

Veja a diferença.

http://www.sines.pt/PT/LojadoMunicipe/ReclamacoeseParticipacoes/Paginas/default.aspx

O melhor é participar na GNR de Viana.
De Andreia Quintino a 17 de Abril de 2009 às 21:01
www.deficientesmotores.blospot.pt
Gostaria que visitasse o nosso blog e deixasse uma opiniao sobre as barreiras arquitectonicas no nosso pais, obrigada.

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

 

Clarice Lispector

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Alucinações

 
Um polícia reformado imagina que uma criança inglesa morreu num trágico acidente e que o corpo foi congelado ou conservado no frio pelos pais e amigos.

Um político socialista imaginou que era possível combater a corrupção neste sítio cada vez mais mal frequentado, apresentou um pacote de medidas e ficou muito desiludido quando o seu partido o atirou para o lixo e aprovou um conjunto de diplomas que vai deixar tudo como antes, o quartel-general em Abrantes. O mesmo político imagina, agora, que a corrupção está mais elevada do que nunca e fica triste porque ninguém lhe liga nenhuma.

A líder do maior partido da Oposição imagina que é possível chegar ao poder sem andar por aí em festas folclóricas, em espectáculos medíocres e chega ao ponto de dizer que vai tentar falar verdade sobre os problemas do sítio e que não se pronuncia sobre assuntos que não conhece.

Um ministro deste Governo socialista imagina-se como director comercial de uma multinacional e salta de contente sempre que assina um contrato com uma empresa qualquer. O mesmo governante imagina um dia que a crise económica, financeira e social já passou e no outro imagina que o que aí vem vai ser bem pior.

Um primeiro-ministro que os indígenas elegeram em 2005 com maioria absoluta imagina que vive num sítio maravilhoso, com uma economia pujante, com um nível de vida extraordinário, com cidadãos altamente qualificados e até imagina que Angola tem um governo fabuloso, digno dos maiores elogios, que a Líbia é dirigida por um ser normal, democrático, que até escreveu em tempos um livro que só por acaso não ganhou o Nobel da Literatura e que a Venezuela tem um presidente civilizado, com os alqueires todos no sítio e que merece ser recebido várias vezes em poucos meses com gestos de grande carinho e amizade.

Um Presidente da República imagina que os seus silêncios são mais importantes do que as suas palavras e imagina que quando discursa alguém o ouve verdadeiramente com atenção. Imagina que quando fala na necessidade de se combater a corrupção ou atacar a sério os problemas da Justiça e da Educação alguém o leva verdadeiramente a sério e vai a correr preparar mais uns diplomas para indígena ver.

A alucinação, como se vê, veio para ficar. Está a tornar-se numa pandemia. Em vez de dinheiros da Europa, o sítio precisa urgentemente de uma enorme equipa de psiquiatras que o cure da doença enquanto há tempo e esperança de cura.

António Ribeiro Ferreira
[in Correio da Manhã, 28.07.2008]

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